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"Entre livros nasci. Entre livros me criei. Entre livros me formei. Entre livros me tornei. Enquanto lia o livro, lia-me, a mim, o livro. Hoje não há como separar: o livro sou eu - Bibliotecária por opção, paixão e convicção".

Lemos porque a necessidade de desvendar e questionar o desconhecido é muito forte em nós”

"O universo literário é sempre uma caixinha de surpresas, em que o leitor aos poucos vai recolhendo retalhos. Livros, textos, frases, poemas, enfim, variadas formas de expressão que vão compondo a colcha de retalhos de uma vida entre livros. É o que se propõe".

Inajá Martins de Almeida

assim...

"Quem me dera fossem minhas palavras escritas. Que fossem gravadas num livro, com pena de ferro e com chumbo. Para sempre fossem esculpidas na rocha! (Jó 19:23/24)

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“Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância.”

Fernando Pessoa - Poeta e escritor português (1888 - 1935)

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terça-feira, 20 de setembro de 2016

SEMENTE



Você já se pensou semente?



Planejada
Arquitetada
Amada
Semente...


Eu posso semente me pensar
Aquela dentre tantas
que se perde na imensa poeira
da corrida que a medalha
me fez ganhar:
semente!







Eu semente fui
Eu semente sou
germinada
ainda inacabada...

Semente em construção
semente a divina mão
em outra semente multiplicou...





Semente
somente
na mente
semente
que um dia 
à terra retornará
semente!

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Inajá Martins de Almeida - São Carlos 06/09/2016

sábado, 3 de setembro de 2016

SILÊNCIO - Inajá Martins de Almeida

Ao silêncio consigo silenciar meu interior e poetar

clique sobre a imagem


Tarde de sábado - São Carlos 03/09/2016
É Inajá que escreve e no silêncio da tarde que se faz chuvosa se deixa registrar neste blog.   
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sábado, 14 de maio de 2016

DISCURSO SENADO FEDERAL - FERNANDO COLLOR DE MELLO - 11 de maio de 2016

Leia a íntegra do discurso: 

"Sr. Presidente do Senado Federal, Senador Renan Calheiros, Srªs e Srs. Senadores, Ruínas de um Governo, esse é o título de uma obra clássica de Rui Barbosa, de 1931.
Nela o autor afirma: Todas as crises, portanto, que pelo Brasil estão passando, e que dia-a-dia sentimos crescer aceleradamente, a crise política, a crise econômica, a crise financeira, não vêm a ser mais do que sintomas, exteriorizações parciais, manifestações reveladoras de um estado mais profundo, uma suprema crise: a crise moral.

Em 1992, esse trecho foi utilizado por Barbosa Lima Sobrinho como introito à denúncia que apresentou contra mim. Ruínas de um Governo é a expressão de Rui Barbosa para invocar as crises que atingiram o Brasil nos anos 30. 

Sr. Presidente, jamais o Brasil passou, como hoje, por uma confluência tão clara, tão entrelaçada e aguda de crises na política, na economia, na moralidade e na institucionalidade. Chegamos ao ápice de todas as crises. Chegamos às ruínas de um governo, às ruínas de um país. Esse é o motivo pelo qual aqui e agora discutimos possíveis crimes de responsabilidade da Presidente da República. Não discutimos crimes comuns. Isso é pacífico. A esses a Constituição reserva o juízo do Supremo Tribunal Federal. Ao Senado da República, cabem a pronúncia e o julgamento quanto aos crime de responsabilidade. Essa é uma diferenciação importante. Aqui, julga-se responsabilidade.

Em 1992, em processo análogo, bastaram menos de quatro meses entre a apresentação da denúncia até a decisão de renunciar no dia do último julgamento. No atual processo, já se foram mais de oito meses. A depender do resultado de hoje, mais seis meses são previstos até o julgamento final. O rito é o mesmo, mas o ritmo e o rigor não. Basta lembrar: entre a chegada no Senado da autorização da Câmara até o meu afastamento provisório, transcorreram 48 horas. Hoje, estamos há 23 dias somente na fase inicial nesta Casa. O parecer da Comissão Especial, que hoje discutimos, possui 128 páginas. O mesmo parecer de 1992, elaborado a toque de caixa, continha meia página, com apenas dois parágrafos – isso mesmo, dois parágrafos. O tempo é outro, Sr. Presidente.

Em 1992, fui instado a renunciar na suposição de que as acusações contra mim fossem verdadeiras. Mesmo sem a garantia da ampla defesa pelo Congresso, em todas as fases, me utilizei de advogados particulares. Dois anos depois, fui absolvido de todas as acusações do Supremo Tribunal Federal. Portanto, dito pela mais alta Corte de Justiça do País, não houve crime. Mesmo assim, perdi meu mandato e não recebi qualquer tipo de reparação. Pelo contrário, depois da renúncia, recorri ao próprio Supremo Tribunal para ao menos reaver os direitos políticos que me cassaram. Mesmo se tratando de matéria eminentemente constitucional – direitos políticos –, alheia ao mérito do impeachment, o Supremo negou o Mandado de Segurança sob a alegação de que não cabia à Corte se pronunciar sobre decisão do Senado, ainda que tomada após minha renúncia.

À época dessa apreciação, o Ministro Paulo Brossard chegou a ser interpelado pelo Ministro Moreira Alves. Este chamou atenção para a incoerência do voto de Brossard, já que em seu livro sobre impeachment, o Ministro defendia a impossibilidade do julgamento após a renúncia. E, em seu voto, se manifestava de forma inversa. Ao se defender, Brossard se limitou a dizer: "Ministro Moreira Alves, livro é livro, voto é voto".

E para se justificar assinalou: "Absolutória ou condenatória, justa ou injusta, sábia ou errônea, da decisão do Senado não cabe recurso, direto ou indireto. Mas, isso não é novidade. Todo órgão, seja de que natureza for, que decide em única ou última instância, decide inapelavelmente, acerte ou erre" – encerra Brossard. Desculpem-me por voltar no tempo, mas o momento exige.

Ainda na denúncia de 1992, Lima Sobrinho pregava, e até profetizava. Escreveu ele: "Nos regimes democráticos, o grande juiz dos governantes é o próprio povo. Representar o povo, significa, nos processos de impeachment, interpretar e exprimir o sentido ético dominante diante dos atos de abuso ou traição da confiança nacional.
A suprema prevaricação que podem cometer os representantes do povo, em processos de crime de responsabilidade, consiste em atuar sob pressão de influências espúrias ou para satisfação de interesses pessoais ou partidários. Em suma, o presidente há de ser julgado com base nos largos e sólidos princípios da moralidade política" – encerra Lima Sobrinho.
Pois bem, Sr. Presidente. Todas as tragédias que se podem imaginar reduzem-se a uma mesma e única tragédia, o transcorrer do tempo. É o mesmo tempo imperioso do mundo que nos traz à razão.

É nesta quadra, de adversidade para uns e tragédias para outros, que constatamos que o maior crime de responsabilidade está na irresponsabilidade pelo desleixo com a política; na irresponsabilidade pela deterioração econômica de um país; na irresponsabilidade pelos sucessivos e acachapantes déficits fiscais e orçamentários; na irresponsabilidade pelo aparelhamento desenfreado do Estado que o torna inchado, arrogante e ineficaz; na irresponsabilidade pela ação ou omissão perante obstruções da justiça.
É crime de responsabilidade, Sr. Presidente, a mera irresponsabilidade com o país, seja por incompetência, negligência ou má-fé.

Mas não foi por falta de aviso. Desde o início deste Governo, fui, ao longo dos anos, a diversos interlocutores da Presidente para mostrar os problemas que eu antevia e que desembocaram nesta crise sem precedentes. Falei, dentro da minha convicção, dos erros na economia, na excessiva intervenção estatal, nas imprudentes renúncias fiscais, falei da falta de diálogo com o Parlamento. Nos raros momentos com a Presidente, externei minhas preocupações, especialmente após a sua reeleição, quando sugeri a ela uma reconciliação de seu novo Governo com seus eleitores e com a classe política.

Sugeri que fosse à televisão pedir desculpas por tudo que se falou na campanha eleitoral, desmentido depois por seus próprios atos, nos primeiros meses do atual mandato.
Alertei-a sobre a possibilidade de sofrer impeachment, mas não me escutaram. Coloquei-me à disposição, ouvidos de mercador. Desconsideraram minhas ponderações, relegaram minha experiência. A autossuficiência pairava sobre a razão. Contudo, Sr. Presidente, reafirmo que, em amplo contexto, o todo dessa obra em ruína da atual administração tem também um pano de fundo ainda invisível para muitos: o sistema presidencialista adotado por nossa República.

Lá se vão 127 anos de crises e insurreições, de revoltas e conflagrações, de golpes e revoluções. Suplantada a aristocracia imperial, superarmos a oligarquia republicana. Convivemos com o estado de sítio, com o estado de exceção. Enfrentamos ditaduras, civil e militar. E, ainda hoje, estamos em processo de redemocratização.
Sob o presidencialismo usufruímos tão somente de espasmos de democracia. Não há mais como sustentar um sistema anacrônico, contaminado e deteriorado em sua essência, em sua prática e nos exemplos traumáticos de nossa República.
Basta dizer que de 1926, com Artur Bemardes, até 2011, com Lula, nenhum Presidente da República transmitiu o cargo a seu sucessor sob as mesmas regras que recebeu do antecessor, tendo eles cumprido integralmente seus respectivos mandatos. Pelo visto, aquelas exceções serão mais uma vez quebradas, recomeçando novo ciclo de instabilidades. Não podemos mais rechear nossa história com deposições, suicídios, renúncias e impedimentos. Não existe fórmula mágica dentro do nosso presidencialismo, ainda mais com uma lei nos moldes da 1.079, a "ressurrecta", que dá margem a permanentes ameaças a qualquer governo. Não há como recuperar esse modelo de coalizão, de cooptação e fisiologismo, que envergonham a classe política.

Enfim, não há como continuar tentando formar um número salvador simplesmente somando zeros. Os partidos, mais do que votar, precisam formular políticas. Por tudo isso, o sistema está em ruínas. E ruínas, Sr. Presidente, demandam reconstrução. Reconstrução requer determinação que, por sua vez, exige conscientização e admissão da verdade.
Há 11 anos vimos o choro de Parlamentares decepcionados com as agruras e a verdade crua de um partido. Hoje, envoltos em tormentos muito piores, não vemos sequer uma lágrima, uma lágrima de constrangimento que seja. Ao contrário, o que se vê é a defesa rouca, cega, mouca e intransigente.

Entre retóricas e evidências; entre quimeras e realidades, entre golpe e a farsa do golpe, apesar de tudo e, por tudo isso, a população brasileira evoluiu na participação política. Mas admitamos, Sras e Srs. Senadores, regredimos no agir da política.  Reafirmo: uma Nova Política precisa se estabelecer. Seja qual for o resultado de hoje, precisamos virar esta página, repensar e instituir a política pela qual a sociedade clama. O atual processo de impeachment nada mais é do que a tentativa de, a partir do passado, aplainar o presente para decantar o futuro. Um futuro em que precisaremos conciliar uma altiva e corajosa voz de comando do Executivo, com a moderadora e conciliadora voz do Legislativo.

Para concluir, reproduzo trecho do livro Collor Presidente, do historiador Marco Antonio Villa, que está prestes a lançá-lo. Novamente, peço a compreensão por retornar a 92. Mas a lucidez do texto reflete o que aqui vivemos. Diz o autor – e aqui abro aspas:  Fatos posteriores, já no século 21, amplificaram o significado da ação (ou inanição) de Fernando Collor no auge da CPI e da denúncia na Câmara dos Deputados por crime de responsabilidade. Ele respeitou as solicitações dos parlamentares, encaminhou, através do Banco Central e da Receita Federal, toda a documentação solicitada, cumpriu as determinações legais, não coagiu o Supremo Tribunal Federal e respeitou a Constituição, isso tudo em meio ao maior bombardeio midiático da nossa história e tendo de conviver com uma acelerada tramitação da denúncia – e depois do processo – que criou obstáculos à plena defesa. Aceitou o afastamento e se preparou para a defesa no Senado. Perdeu. Buscou reparações na Justiça, defendeu-se em vários processos e acabou absolvido em todos eles – os que envolviam atos quando do exercício da Presidência da República.

A renúncia de Fernando Collor – o impeachment nunca ocorreu – deu a ilusão de que as instituições forjadas pela Constituição de 1988 tinham passado no teste. Ledo engano. Acontecimentos posteriores – e mais graves –demonstraram que a consolidação do estado democrático de direito...
(Soa a campainha.)
... é um longo processo, tarefa de várias gerações. A crise de 1992 não passou de um momento de ampla e complexa rearticulação das elites política e econômica no interior do Estado, posicionando-se para embates que acabaram sendo travados, ainda na última década do século 20 e no início do século [21] [...], por aqueles que tinham quadros – mais do que programas – para gerir a coisa pública.

Encerro, Sr. Presidente, dizendo: a História me reservou este momento. Devo vivê-lo no estrito cumprimento de um dever. Porém, inspiro-me no ensinamento de Holbach: "Tudo nos prova que a cada dia nossos costumes se abrandam, os espíritos se esclarecem e a razão conquista terreno".
Muito obrigado, Sr. Presidente.

Fonte: http://www.ebc.com.br/noticias/politica/2016/05/fernando-collor-relembra-impeachment-de-1992-em-discurso-no-senado

segunda-feira, 25 de abril de 2016

NOTAS AS VENTO

Sempre as notas a me envolver
ao querer 
se expressar
de mim!


Neste 27 de março mais uma nota leva o vento. Contam-se em sessenta e seis... Quantas mais? Que venham outras tantas notas...

O sorriso de Rafaela me emociona... O presente embrulhado em papel prateado me dá a dimensão do conteúdo... A xícara, não pudera expressa amor maior... Ao som da melodia meu coração vibra de alegria e me deixo quedar neste espaço !




Ao me entregar o singelo presente
meu coração saltou aos olhos.


A xícara
a pentagrama
as notas dispostas
levaram ao vento
meu pensamento.


Notas ao vento
posso entoar
cantar
bailar
sonhar...


E sonho 
Notas ao Vento...














Sempre Notas as Vento
revolvem meu pensamento
que se lançam ao vento...

Lembradas as notas
nesta página escritas
quem a imagina
Notas que trazem o vento...

27/03/2016

domingo, 24 de abril de 2016

LEITURAS EM FOTOS E POEMAS




Floriu nosso jardim
porque nosso jardim floriu
floresceu em mim 
um jardim!



Amor Agarradinho
Minúscula semente
germinou

Quanto tempo aguardada
cultivada
encantada
amada
seus ramos se desenvolvem
e florescem
e agradecem
e crescem...

Cordões dependurados
desabrocham gotas 
como de orvalho
mas não prateadas
rosa...

Meu coração se tinge de rosa
Agarra-se ao amor
do Eterno
e vislumbro a natureza
em amor do amor maior...







Aqui são as lágrimas vermelhas
em cachos generosos...

Natureza de Deus
em nosso jardim...

Pulsa em mim
o agradecer a criação

Divina Arte de Deus
a nos inspirar
poesia...



terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

PINÓQUIO

Quarta-feira. Amanhece. Chove em São Carlos. A cidade comporta-se cinza. O prateado da fina água chama atenção ao barulho que os carros provocam em suas poças no asfalto. Aproveitar o dia é tudo que ansiamos, afinal 2016 se aproxima. Chegamos aos trinta dias de dezembro.

Os pássaros se alegram. Cantam. Agitam-se. A praça se cobre de verde. As flores resplandecem suas cores várias.

Água. Vida. A chegada do ano promete surpresas. A natureza se abre à esperança. Eu me alegro. Planejo.

O livro em mãos me fala da magia. Lindo. Encantador. Pinóquio. Entusiasmam-me os versos. Volto à infância. Sinto-me criança. Danço aos versos de Letícia Dansa e passo a trovar:


Quem na infância
não pensou em travessuras
não se sentiu criança
quando no tempo volta à leitura.

É Pinóquio que traz à lembrança
da casa dos pais o aconchego a embalar
belas histórias, sonho da criança
sonhos que se podem sonhar.

E passa o tempo e torna a passar
mas a criança que vive e sonha o livro
logo se põe a contar
lembrança do passado distante, tão vivo.

Livro que pudera encontrar
livro que fora encontrado
entre tantos na estante a clamar
- quero por ti ser abraçado.!

Agora é ele que passa a inspirar
sonho e poesia
da menina distante a sonhar
com fadas, varinhas... quanta magia!

Aprecio o livro
a magia que ele inspira
é o olhar do leitor
que a ele aspira.

E percebe leitor amante
que fala suas páginas como se vivo fora
com boca, cérebro, narinas.

O livro respira!
O livro inspira!

Leitor descortina
as linhas do autor.

Desvenda seus sonhos ocultos
refaz sua veia de poeta
como sombras, vultos
vem segredar, segredos ocultos.

Poemas que não tem fim as linhas embalam
como a ninar a criança
que renasceu em mim.

Letícia Dansa
dansa nos versos da leitora
que adentra a história
na melodia da rima dança...

Dança, Dansa, Letícia Dansa
baila, baila sempre a girar
o sonho da criança
a bailar.

Magia somente possível, quando o livro
se torna a ler
leitura que encanta
quando se aprende a fazer.

Saber ler é uma arte
descobrir sua beleza também
aprende-se a andar
não se distancia do falar.

Mas... é quando se aprende a ler
logo a escrever
que se dá a completude
a completude do ser.

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Esta é a leitora. Esta sou eu quando não consigo  me separar do livro. Aprecio-o. Estudo sua capa. Seus autores. Organizadores. Tudo me leva ao encantamento.

O livro fala. Bibliotecária que aprendi a ser, percebo o livro no seu conjunto. Aí a beleza da obra. Ler o livro no seu todo. Eis o segredo, razão porque ele se torna tão importante para que o lê.

Penso no escritor "o Judeu" (Antonio José da Silva - 1705/1739)  e absorvo algumas passagens de suas décimas e que seja prudente o leitor, diante do meu sonho de criança:



Amigo leitor, prudente, 
Não crítico rigoroso, 
Te desejo, mas piedoso 
Os meus defeitos consente: 
Nome não busco excelente, 
Insigne entre os escritores; 
Os aplausos inferiores 
Julgo a meu plectro bastantes; 
Os encômios relevantes 
São para engenhos maiores. 

Esta cômica harmonia 
Passatempo é douto e grave; 
Honesta, alegre e suave, 
Divertida a melodia. 
Apolo, que ilustra o dia, 
Soberano me reparte 
Ideas, facúndia e arte, 
Leitor, para divertir-te, 
Vontade para servir-te, 
Afecto para agradar-te. 

http://www.fclar.unesp.br/Home/Pesquisa/GruposdePesquisa/Dramaturgia-GPD/OJudeu/aobra_teatrocomicot.pdf


Magnifico encontro Pinóquio, Letícia Dansa, Antonio José da Silva. Passatempo alegre e suave pode compor singela melodia, para divertir quem escreve e agradar quem possa ler. 

Inajá Martins de Almeida - São Carlos 30/12/2015)


AMANHECER ENTRE POEMAS

Amanheci entre poemas!
Quem dera os versos
a primavera
cantar pudera.

São as vozes da primavera
que entoam cantos
nos cantos da sala
em abre alas
para passarem.

Poeta!
Poetiza!
o verso completa
realiza
eterniza!











Ao longe Bem-te-vi
Te vi... Te vi... Te vi...
Trina Bem-te-vi
e torna a trinar
sem cessar.


Amanhece
Amanheci
é este meu amanhecer.







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Inajá Martins de Almeida

São Carlos- 09/02/2016 - 

sábado, 18 de abril de 2015

CASA GUILHERME DE ALMEIDA







Um cantinho só para Mário

Espaço reúne doações do escritor Mário de Andrade, patrono da Biblioteca Municipal, ao acervo local na década de 40.

A relação do escritor Mário de Andrade com Araraquara vai muito além do romance “Macunaíma”, marco do modernismo no Brasil, que ele escreveu em seis dias durante férias na Chácara Sapucaia, de seu tio Pio Lourenço Corrêa, em 1926.

Por ser um grande incentivador e colaborador da ideia, ele também batiza a Biblioteca Municipal, que começou a funcionar em 1945.

E lá, a supervisora técnica Fátima Aparecida Zampiero Ramos resolveu criar um espacinho especial para coroar toda a colaboração cultural de Mário para com a cidade, afinal, na década de 40, ele doou seu acervo para a Biblioteca, à época formado por cerca 600 livros. Além de textos autorais, muitos romances, alguns em inglês e francês.

Mas como Fátima conseguiu separar tudo isso em meio a cerca de 55 mil obras? É simples. Desde do fim da década de 1990, quando a Biblioteca Municipal começou a digitalizar o cadastro das obras, ela passou a separar tais livros automaticamente, porém com muito zelo e dedicação.

“Pedi autorização a minha gerente na época para, aos poucos, começar a separá-las, e, assim, fomos deixando algumas separadas para futuramente reuni-las para algo especial, pois são históricas”, diz a supervisora.

Dito e feito. Há quatro meses, efetivamente, Fátima organizou 430 obras e as deixou para visitação em um cantinho especial dentro da Sala “Pio Lourenço Corrêa”. Esse espaço tem visitação gratuita, porém é limitado apenas para pesquisa.
Marcos Leandro
Espaço reúne acervo doado por Mário de Andrade à Biblioteca Municipal
Vale dizer que, com o tempo, alguns livros sumiram, por motivos diversos. “Era fácil identificar alguma peça da coleção dele, pois algumas tinham um selinho. Em algumas situações, ele já havia caído, porém o espaço ainda está ali”, revela.

AMIGOS FAMOSOS - Outra maneira de identificar algum livro pertencente a Mário de Andrade é pelas dedicatórias mais que especiais, assinadas por outros nomes da literatura brasileira, como Cecília Meireles e Vinícius de Moraes, por exemplo. Alguns, inclusive, foram dados como presente à Biblioteca.

“Mário foi um grande incentivador da criação da biblioteca. À época, inclusive, além de defender a ideia junto ao prefeito de Araraquara, ele fez até um pedido oficial em um folhetim da Imprensa do Estado de São Paulo requisitando doações para o acervo. Vale dizer ele que só veio a batizar a Biblioteca pouco depois de sua morte, como uma homenagem póstuma a sua contribuição cultural para a cidade”, finaliza Fátima Aparecida Zampiero Ramos.

A Biblioteca Municipal “Mário de Andrade” está entre as 33 bibliotecas de todo o Estado de São Paulo a ter em seu acervo uma coleção de livros raros. A informação consta na última publicação do Guia do Patrimônio Bibliográfico Nacional de Acervo Raro, da Biblioteca Nacional.
Marcos Leandro
Livro doado por Cecília Meireles a Mario para que este a entregasse à Biblioteca de Araraquara
QUEM FOI MARIO - Mário Raul de Morais Andrade nasceu em São Paulo, no dia 9 de outubro de 1893. Sua influência foi decisiva para o modernismo se fixar definitivamente no Brasil. Estudou música, escreveu sobre folclore, pintura e também foi crítico de arte em jornais e revistas. Em 1917, escreveu seu primeiro romance sob o pseudônimo de Mário Sobral: “Há uma gota de sangue em cada poema”.

Nela, defendia a paz e criticava a Primeira Guerra Mundial e todas as consequências que ela causou. “Macunaíma”, sua mais célebre obra com o famoso anti-herói, teve suas linhas escritas em Araraquara. Muitos pensam que ele e Oswald de Andrade tinham algum parentesco; porém, não é verdade. Mário de Andrade morreu em São Paulo em 1945, aos 51 anos.


domingo, 9 de novembro de 2014

O ATO DE LER : O PODER DE TRANSFORMAÇÃO DA LEITURA

Produção textual do ENEM 2006: O poder de transformação da leitura. Trata-se de um tema de cunho educacional e, assim, também social, pois sabemos que, infelizmente, a questão da educação brasileira é complexa, pois enfrenta vários desafios, inúmeras ordens e a leitura tem um papel muito importante neste cenário, já que através dela e da escrita nos alfabetizamos e nos tornamos cidadãos protagonistas e autônomos.
Este tema afirma que a leitura é transformadora, que possui o poder de mudar pessoas e, consequentemente, comunidades, organizações e até países e é este caminho que o candidato deveria tomar ao redigir seu texto.
A proposta colocava-se do seguinte modo:

1)

Uma vez que nos tornamos leitores da palavra, invariavelmente estaremos lendo o mundo sob a influência dela, tenhamos consciência disso ou não. A partir de então, mundo e palavra permearão constantemente nossa leitura e inevitáveis serão as correlações, de modo intertextual, simbiótico, entre realidade e ficção.
Lemos porque a necessidade de desvendar caracteres, letreiros, números faz com que passemos a olhar, a questionar, a buscar decifrar o desconhecido. Antes mesmo de ler a palavra, já lemos o universo que nos permeia: um cartaz, uma imagem, um som, um olhar, um gesto.
São muitas as razões para a leitura. Cada leitor tem a sua maneira de perceber e de atribuir significado ao que lê.
Inajá Martins de Almeida. O ato de ler. Internet: (com adaptações).


2)


Minha mãe muito cedo me introduziu aos livros. Embora nos faltassem móveis e roupas, livros não poderiam faltar. E estava absolutamente certa. Entrei na universidade e tornei-me escritor. Posso garantir: todo escritor é, antes de tudo, um leitor.
Moacyr Scliar. O poder das letras. In: TAM Magazine, jul./2006, p. 70 (com adaptações).

3)

Existem inúmeros universos coexistindo com o nosso, neste exato instante, e todos bem perto de nós. Eles são bidimensionais e, em geral, neles imperam o branco e o negro.
Estes universos bidimensionais que nos rodeiam guardam surpresas incríveis e inimagináveis! Viajamos instantaneamente aos mais remotos pontos da Terra ou do Universo; ficamos sabendo os segredos mais ocultos de vidas humanas e da natureza; atravessamos eras num piscar de olhos; conhecemos civilizações desaparecidas e outras que nunca foram vistas por olhos humanos.
Estou falando dos universos a que chamamos de livros. Por uns poucos reais podemos nos transportar a esses universos e sair deles muito mais ricos do que quando entramos.
Internet: (com adaptações).

Considerando que os textos acima têm caráter apenas motivador, redija um texto dissertativo a respeito do seguinte tema:
O PODER DE TRANSFORMAÇÃO DA LEITURA.
Ao desenvolver o tema proposto, procure utilizar os conhecimentos adquiridos e as reflexões feitas ao longo de sua formação. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões para defender seu ponto de vista e suas propostas, sem ferir os direitos humanos.
______________________

Análise de : 

*CAMILA DALLA POZZA PEREIRA é graduada em Letras/Português pela UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas/SP – Atua na área de Educação exercendo funções relativas ao ensino de Língua Portuguesa, Literatura e Redação. Foi corretora de redação na 1ª fase e de Língua Portuguesa na 2ª fase do vestibular 2013 da UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas/SP. Participou de avaliações e produções de diversos materiais didáticos, inclusive prestando serviço ao Ministério da Educação.

Todos os três textos motivadores da coletânea da proposta de redação do ENEM 2006 abordam o que a leitura é capaz de fazer em nós, leitores e em nossas vidas. 

O primeiro texto, de autoria de Inajá Martins de Almeida, fala a respeito da mudança de olhar que a leitura proporciona àquele que aprender a ler por meio de sua influência, já que tudo o que lemos possui significado (o signo é ideológico, portanto, nada é neutro) e isso estará presente, conscientemente ou não, ao longo de todas as nossas vidas. A autora também afirma que a leitura é uma necessidade humana porque somos curiosos, queremos desvendar mistérios, queremos questionar e que somos leitores antes mesmo de aprendermos a ler, pois desde crianças aprendemos a ler olhares, gestos, sons, imagens etc.
O segundo texto, um depoimento biográfico do escritor falecido em 2011 Moacyr Scliar, fala da importância e da prioridade necessária à leitura na infância e no convívio familiar contando que, em sua casa, faltavam móveis e roupas, mas nunca faltavam livros e, assim, corrobora a importância da influência e da motivação dos pais na leitura de seus filhos, o quanto é fundamental a família proporcionar à criança momentos de iniciação à leitura, mesmo que esta ainda não saiba ler. E, realmente, os exemplos vindos de pais, de irmãos mais velhos, primos, tios, amigos etc são imprescindíveis para que a criança assimile, desde pequena, o quanto a leitura é importante. Não adianta cobrar que seu filho leia se você não lê e aqui não nos referimos apenas aos livros, mas também a jornais, revistas de todos os tipos e tantos outros meios.
O terceiro e último texto aborda o quanto a leitura pode nos fazer viajar através da nossa imaginação, já que nos mostra universos diferentes, as mais variadas histórias, os mais diversos personagens, com seus segredos e fantasias. Este texto trata, mais especificamente, dos livros de ficção, biográficos, ou seja, com histórias mais voltadas ao entretenimento e afirma que, por poucos reais, podemos nos transportar para estes universos e sairmos mais ricos do que entramos e esta questão do preço do livro, no Brasil, pode ser uma brecha para a elaboração da proposta de intervenção social, já que todos sabemos que há uma incidência muito grande de impostos nos valores dos livros vendidos aqui, o que os encarece e, assim, dificulta o acesso, principalmente da camada mais pobre da população, a eles.
Mas, além do preço, podemos discutir outras questões acerca da leitura no nosso país, já que sabe-se que o brasileiro lê pouco em comparação aos leitores de outros países. O brasileiro não possui muito o hábito de ler e isto deve ser transformado através da própria leitura, antes mesmo ou ao mesmo tempo do governo diminuir a taxação de livros no Brasil. Há pessoas que reclamam que livros são caros, mas não se importam de pagar o mesmo valor ou até mais em outro item; o problema é, realmente, o preço do livro ou as prioridades destas pessoas? Livros são caros, mas e as bibliotecas públicas, por exemplo? Por que não frequentá-las? Temos também os sebos, as bibliotecas escolares…
Falando em escola, esta, juntamente com as famílias, tem papel fundamental na formação de leitores, já que é nela em que as crianças são alfabetizadas e passam mais de dez anos de suas vidas. Os professores são leitores? A obrigatoriedade das leituras é positiva? Como escola, aliada aos pais, podem incentivar, motivar e influência que crianças e jovens tornem-se leitores proficientes? Projetos que busquem responder a esta pergunta são, certamente, ótimas opções para uma proposta de intervenção social.
O candidato pode basear todo o seu texto na diferença que a leitura pode fazer na vida das pessoas, socialmente e profissionalmente, já que ler não é importante apenas na escola, mas sim para toda a vida, já que lemos todos os dias, em todos os lugares, em inúmeras situações. Ler e escrever vão além do vestibular e do ENEM; na faculdade vocês, leitores, terão de ler, e muito, e terão de aprender a ler gêneros não lidos antes por vocês (artigos acadêmicos, resenhas, dissertações de mestrado, teses, relatórios etc), ou seja, estamos sempre aprendendo a ler e a escrever.

http://www.infoenem.com.br/analise-de-tema-de-redacao-enem-2006/

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AS PALAVRAS NOS ESCREVEM

Ao olharmos para uma palavra, 
podemos encontrar tantas outras 
as quais poderão falar de nós e nos escrever!

Inajá Martins de Almeida 



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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

FALANDO FORA DE HORA

- por Inajá Martins de Almeida



Falavam. Riam. Caminhavam. Amigos, mãos dadas a observar a paisagem, incansáveis.




Sonhos presente – presentes – teciam as linhas imaginárias no horizonte azul. Grossas nuvens escuras caminhavam... Não se davam conta.





Falavam. Riam. Caminhavam. 


Ao que falavam ao menos conta faziam. Quantas vezes, fora de hora falavam. Não se calavam quando exaltados os ânimos a língua, furiosa, divagava caminhos adversos.



E se magoavam sem sentido. Sem sentir se distanciavam. O amor desvanecia. Olhos choviam lágrimas. Coração brotava mágoas. Sonhos compartilhados por entre os dedos escorregavam.


O abraço apertado ansiava hora de calar.

Aos pedaços, coração sufocava pranto doído. Malas desorganizadas. Partida iminente sufocava o ar. Faltava o ar. Ou será que era A m o R demais que sufocava o ar.

Amor que sufocava o ar? Ar que faltava ao amor?

E quando se pensava que o amor viera para ficar, lá estava ele, mesmo aos pedaços escorregando entre os dedos. Falando fora de hora. Palavras desconexas. Impensadas palavras.




Soubesse agora que o falar fora de hora pudesse falar agora, na hora. 





Soubesse agora o falar fora de hora alcançar o brilho do olhar distante. 





Soubesse agora o falar fora de hora chorar o choro dos que, mesmo sem querer escorregar sonhos por entre os dedos,  conseguem enxergar, nas mãos cerradas, o coração a pulsar.   


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Linda melodia nesta manhã de sábado 22 de fevereiro de 2014. 
Manhã chuvosa. Parece que a chuva inspira. Aspira. Respira. Ah! Chuva. Fina chuva. Pingos a pingar coração doído. 
Eis que a tela traz a chuva a chorar lágrimas, na melodia, na canção, na letra. Tudo compactua saudade. Tudo inspira lembrança. Tudo aspira memória e tece. E registra. 
Será que o amigo distante iria adorar se soubesse?

Compactuo o vídeo. Linda mensagem. Linda melodia. 






     

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

MÚSICA TRANSFORMA VIDAS - 1º Festival Musiclin

MÚSICA TRANSFORMA VIDAS!

Com esse tema, Musiclin - Musicoterapia Clínica - promoveu na noite de sábado - dia 7 de dezembro de 2013 - o seu primeiro festival.


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Cativar - palavra que exprime poema
Responsável se torna todo aquele que cativa.

 Assim, somos responsáveis por aquilo que cativamos. 
Cativar é amar
Cativar é também carregar
Cativar - laços fortes criar

Patrícia e David responsáveis são pelo que cativam.

E como sabem C a t i v a r !



POEMA DA BAILARINA

A ternura da bailarina
rodopia no ar
encanta, faz a todos sonhar

Pesinhos de fada
deslizam, flutuam suave    
quem as pode tocar...

É a música 
que transforma a Bailarina em Poema




A Viagem continua no mundo encantado da música. 
Música que transforma vidas.
Música que aproxima Amigos, numa verdadeira Greensleaves, meiga e abusada.
Música - Minha primeira valsa
Como minha primeira canção
Música que pede o brilho do Sol.








Música.
Ruflar de tambores.
Címbalos suaves invadem todo o espaço
Passos precisos - preciosos
Delicadeza em cada gesto.

Kung fu Panda
representa fielmente movimentos delicados.

É a magia da música a envolver a singeleza da criança.

Por todos os lados veem-se olhos marejados.
Clímax entre luzes que cintilam
e iluminam 
o espaço e os corações.


Música a transformar vidas!



Música que almeja abraços
Como abraço de pai.
Que eleva a voz:
Amigo estou aqui.

Música és tu minha primeira valsa.








Música que toda criança quer
Música que inspira 
Que a terra faz descer 
Um anjo do céu.








Música...

Eu caçador de mim
Fico assim sem você
Tal qual todos os loucos do mundo.






Música...
Transforma.
Alegra.
Envolve.

Aproxima corpos, almas e corações, 
num verdadeiro balé.










Música...
Divina Música!
Transforma vidas!


Musiclin



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Alguns momentos compartilhados no facebook

É A MÚSICA QUE PODE TRANSFORMAR VIDAS!




FOTOS QUE PODEM REGISTRAR E MARCAR FATOS



LUZES - REFLETORES - MÚSICA QUE TRANSFORMA VIDAS!


BRILHO DO NATAL - A VERDADEIRA ALEGRIA - VERUM GAUDIUM


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Fotos, postagens, textos Inajá Martins de Almeida

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O que a música pode fazer para melhorar a saúde de uma criança? Os resultados são surpreendentes.

O menino frágil e doente só pensava em percussão. “Eu era louco para tocar tarol, caixa. O maestro da banda: ‘não, vai para o trompete’, ‘vai para a corneta’”, conta o musicoterapeuta Cláudio Vinicius Froes Fialho.
Sem se dar conta, o garoto sem fôlego dava fim à bronquite. “Só vim perceber que eu fui curado pela música muito mais tarde”, conta Cláudio.
Anos depois, ao se apresentar em uma enfermaria, já músico profissional, Cláudio ouviria a frase desconcertante: “Você já é musicoterapeuta, só que você não sabe”, lembra.
Foi o bastante para trocar os palcos pelos corredores do hospital. O flautista encantador de meninos vai puxando um cordão de alegria no Hospital da Criança de Brasília. São como pílulas de música contra o estresse provocado por doenças graves.
“Ela consegue, muitas vezes, colocar a criança em estado de relaxamento, onde a criança sai, às vezes, de uma agitação e passa para um estado de tranquilidade”, revela a psiquiatra Eliane Prado.
A musicoterapia é parte da estratégia de tratamento do hospital.
Fantástico: Qual é o efeito que a música tem em você?
Carolina Pessoa, de 15 anos: Eu não fico triste. Não me traz tristeza, fico alegre e canto todo dia.

“Esse problema que eles estão passando, todos aqui, precisam desse suporte para a alma também. Porque a quimioterapia dá o suporte para o corpo físico. E a música dá suporte para a alma”, destaca Tânia Pessoa, mãe de Carolina.
“Em momentos de crise, a gente já percebeu que ela funciona”, explica Cláudio.
O consultório de musicoterapia é como um parque de diversões cheio de instrumentos.
“Estou trazendo ela para um ambiente sonoro. Ela está se suspendendo do ambiente do hospital, de alguma maneira. A partir daí, eu sinto que o trabalho já está sendo feito”, revela Cláudio.
Jonatas é autista.
“Você sabe que uma das características do autista é não olhar nos olhos das pessoas”, diz Julcemar Guilardi, pai de Jonatas.
O menino que nunca olhava diretamente para ninguém, fixa o olhar por um instante até para a câmera. E passa a se comunicar por notas musicais.
“Eu estava na cozinha, aí uma colher caiu no chão e fez um som. E o mesmo som, tipo um mi, ele repetiu vocalizando”, conta Rosemir Guilardi, mãe do Jonatas.
Cláudio foi percebendo que toda criança chega com uma identidade musical. “É como se elas tivessem, na sua vida, sido magnetizadas com algum repertório”, explica.
E a partir de seu repertório íntimo, a criança vira letrista da música que Cláudio inventa na hora.

Ao virar compositora, Tainara combateu o déficit de atenção.

Além das consultas individuais, agendadas, com hora marcada, há também intervenções breves nas outras alas do hospital. A ideia é criar um campo sonoro, um ambiente musical, que permita aos outros profissionais da área da saúde também utilizar a música como ferramenta de tratamento.
Ian tem paralisia cerebral. Enquanto faz os exercícios de fisioterapia, se concentra nos movimentos de Cláudio. E o que era apenas silêncio, vira entendimento profundo.
“Às vezes ela olha para uma coisa que você está tentando fazer ela olhar e ela não olha. E aí quando ele começa a tocar eles entram em um alerta. É muito bonito o que tem acontecido, e as crianças mudam”, diz a fisioterapeuta Patrícia Pinheiro.
O hospital vê resultado até no combate à dor. Os médicos já não acham mais que é apenas melhora subjetiva.
“Tem estudos muito bem montados para tirar, para tentar delimitar essa subjetividade. Esses estudos mostram que melhora, sim, a dor. Diminui dor”, explica o neurologista infantil Christian Müller.
“A gente coloca a criança na mesa lira, o corpo dela todo vai entrar em consonância com essa mesa. Ela vai atingir um estágio que a gente chama de oceânico”, mostra Cláudio.
A mesa lira é a estrela da musicoterapia. Quando deitou nela pela primeira vez, Bianca tinha um gravíssimo problema de pele.
“Causa uma sensação de bem estar, ela possibilita um relaxamento profundo”, avalia Cláudio.
Bastaram algumas sessões para que a alergia de pele, de fundo emocional, desaparecesse. “Me salvou. Me curou totalmente”, comemora a menina.
Para a musicoterapia de Cláudio, a cura é algo contínuo. Como a música, está sempre em andamento. “Um processo de cura foi estabelecido. Não tem uma cura que é um estado de ser saudável, perfeito. Estamos em processo de cura”, ele diz.
Além da cura, a musicoterapia pode ter libertado um dom. Porque ninguém esperava que Bianca, a garota tímida e retraída, tivesse uma voz tão poderosa. Nem ela própria.